Cursinhos para OAB, cursos para concursos e a vida de ilusões.

Ainda estou refletindo sobre o ocorrido ontem aqui em Salvador no caso “do homem bomba”. A pessoa tenta 11 vezes passar na OAB e se desespera…Vocês acham mesmo que este é um caso isolado? Uma pessoa ameaçar explodir tudo pode ser um caso inédito, mas a gente não tem os dados do número de gente depressiva e angustiada com este exame: e isto inclui tanto a galera que está preocupada em fazer quanto a galera que já fez e perdeu.Não é culpa do Exame se muitas (!) pessoas não passam, mas tudo isto nos chama a refletir sobre algo: a venda de esperança do mercado de concursos.

Vivemos numa sociedade que estimula o concurseiro e exalta o concursado. Tratamos como heróis uma gente que passa 10, 11, sei lá quantas horas estudando pra concurso e que tenta, tenta, tenta e segue a vida tentando entrar numa vaga que, na maioria das vezes, nem é a vocação do sujeito – é por isto que conheço muita gente se matando para tentar ser juiz, promotor ou defensor público: o que acontecer primeiro! É um absurdo! Ninguém tem vocação para estes três ao mesmo tempo!
Mas o sujeito vai tentando, porque ele vê no youtube que não pode desistir, que tem que perseverar, que tem que lutar pelos sonhos. Aí, ele não para primeiro pra perguntar se este sonho é dele mesmo ou estão vendendo pra ele comprar…
Poderíamos parafrasear o Karl Marx e dizer que “o mercado de concursos é trabalho morto, que apenas se reanima, à maneira dos vampiros, chupando o estudo vivo e que vive quanto mais estudo vivo chupa”.
Bom no Brasil não é o jovem empreendedor, mas o jovem concurseiro! Que triste…
Este mercado vende esperanças – e vende livros! – e impede que um rapaz deixe de fazer coisas úteis na vida para ficar 11 vezes tentando passar numa prova – e o pior é que muita gente não sabe que o difícil não é a prova, é o mercado de trabalho!
Jovens, esta coisa de que desistir do sonho é covardia é uma mentira absurda se você nunca parou para refletir se o seu sonho é realmente fazer o que está querendo fazer.
Desculpa o realismo, mas a verdade é: mais importante que realizar um sonho é descobrir a própria vocação – e quem descobre a própria vocação poderá abrir algumas portas a mais para o sucesso: mas não é garantia!
A gente vende livros para alcançar o sucesso, mas deveríamos vender livros para enfrentar o fracasso. Recomendo, inicialmente, a leitura do filósofo Nietzsche.

Desejo aos meus amigos o sofrimento, a solidão, a enfermidade, as perseguições, o opróbrio. Desejo que conheçam o profundo menosprezo de si próprios, o tormento da sua desconfian­ça, a angústia da derrota. E não os lastimo, pois que lhes desejo a coisa única capaz de demonstrar se valem algo ou não: a resistência! (F. Nietzsche)

Fonte: JusBrasil
Publicado por Wagner Francesco

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